Ela podia ouvir o arfar de sua respiração, sentia as batidas do coração ecoarem na cabeça, o sangue pulsar nas temporas muito enérgico. O suor lhe escorria entre os olhos salgando os cantos da boca. Ainda sentia as pernas tremerem quando tentava se apoiar nelas, por um triz de cederem. Ela voltou ao chão e inclinou a cabeça para trás tentando facilitar a respiração alterada de modo que pudesse, ao mesmo tempo, encara-lo. Ela - apesar da vista embaçada - podia ve-lo encarando-a intensamente, de cima abaixo, paralisado, parecendo não crer no que via. Ela cedeu. Não tinha forças para continuar e ver o que se sucederia.
Quando abrira os olhos, não havia muita coisa além de uma poltrona desfeita nas costuras frágeis, e quadros nas paredes, paredes que lhe ofuscavam os olhos de tão brancas. Não se sentia à vontade ali. Foi quando viu o motivo de tantos de seus sorrisos entrar pela porta entre-aberta, à passos tão silenciosos que se estivesse de olhos fechados, não poderia perceber que ele chegara e agora a olhava de um modo tão intenso quanto da ultima vez que ela lembrava.
Ela achava bobagem pensar nas coisas que um dia ouvira ele dizer, talvez agora ele ja não pensasse da mesma forma, ao menos era o que parecia denunciar seus olhos agora tão mais azuis do que de costume.
Agora ele, enfim, piscou a segunda vez desde que havia parado ali, sem dizer nada ainda a fitava. Ela já, de certa forma, tinha se acostumado ao jeito como ele fazia isso, tão perplexo, chegava até a assusta-la algumas vezes. Ele disse algo que ela não pôde compreender, ou ele não queria mesmo que ela ouvisse, algo sem importancia. Pôs então, a mão em seus ombros, acariciando-o como algo que exigia muito cuidado, desceu pelo ante-braço, pouco arranhado, e parou junto a mão dela, ela sentiu ele aperta-la com força, ainda assim com muito zelo.
Ela pensou em perguntar o que havia de fato ocorrido, mas sentiu que ele não diria uma palavra sequer. Foi enquanto ela pensava no que deveria fazer, que viu o canto esquerdo de sua boca se esgueirar leviano para cima, formando um sorriso estouvado. Mas não importava, aquilo bastava para que ela não precisasse saber de mais nada. Estava bem agora.
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Ainda ontem desisti da sorte, do acaso. Tomei coragem e resolvi aceitar o ‘de verdade’ . Aquela hisrtória de que tudo no fim dá certo ? Mentira, se der deu, se não paciência, o tempo da um jeito nas coisas, mas nada de crer que vá ficar bem de repente, isso não existe.
- DM (etccetera)