"Por que eu continuo tentando ser diferente daquilo que me ensinaram a ser ? Talvez tenham me ensinado a sempre agradar a quem amo também, não sei."
– Dani Matias
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Ela podia ouvir o arfar de sua respiração, sentia as batidas do coração ecoarem na cabeça, o sangue pulsar nas temporas muito enérgico. O suor lhe escorria entre os olhos salgando os cantos da boca. Ainda sentia as pernas tremerem quando tentava se apoiar nelas, por um triz de cederem. Ela voltou ao chão e inclinou a cabeça para trás tentando facilitar a respiração alterada de modo que pudesse, ao mesmo tempo, encara-lo. Ela - apesar da vista embaçada - podia ve-lo encarando-a intensamente, de cima abaixo, paralisado, parecendo não crer no que via. Ela cedeu. Não tinha forças para continuar e ver o que se sucederia.

Quando abrira os olhos, não havia muita coisa além de uma poltrona desfeita nas costuras frágeis, e quadros nas paredes, paredes que lhe ofuscavam os olhos de tão brancas. Não se sentia à vontade ali. Foi quando viu o motivo de tantos de seus sorrisos entrar pela porta entre-aberta, à passos tão silenciosos que se estivesse de olhos fechados, não poderia perceber que ele chegara e agora a olhava de um modo tão intenso quanto da ultima vez que ela lembrava.

Ela achava bobagem pensar nas coisas que um dia ouvira ele dizer, talvez agora ele ja não pensasse da mesma forma, ao menos era o que parecia denunciar seus olhos agora tão mais azuis do que de costume.

Agora ele, enfim, piscou a segunda vez desde que havia parado ali, sem dizer nada ainda a fitava. Ela já, de certa forma, tinha se acostumado ao jeito como ele fazia isso, tão perplexo, chegava até a assusta-la algumas vezes. Ele disse algo que ela não pôde compreender, ou ele não queria mesmo que ela ouvisse, algo sem importancia. Pôs então, a mão em seus ombros, acariciando-o como algo que exigia muito cuidado, desceu pelo ante-braço, pouco arranhado, e parou junto a mão dela, ela sentiu ele aperta-la com força, ainda assim com muito zelo.

Ela pensou em perguntar o que havia de fato ocorrido, mas sentiu que ele não diria uma palavra sequer. Foi enquanto ela pensava no que deveria fazer, que viu o canto esquerdo de sua boca se esgueirar leviano para cima, formando um sorriso estouvado. Mas não importava, aquilo bastava para que ela não precisasse saber de mais nada. Estava bem agora.

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– dm (desa-mar)
"Quer dizer, eu joguei tanta coisa fora, reavaliei tudo de errado que estava fazendo. Mas bom, espera, será que valeu de alguma coisa eu deixar do que eu estava acostumada, àquela bagunça que era a minha vida, àquela bagunça a que eu estava acostumada. Será que estou assim, esquisita, de tanto ter mudado? Fiz certo, errado, alguém poderia me ajudar. As instruções não devem ter sido muito claras, eu julguei como também fui julgada, ninguém ganhou nessa disputa de superioridade. Na verdade ganhei, eu ganhei minha hipocrisia, adquirida sem saber quando, sem saber de onde, e tudo pra que? Pra estar aqui perdendo quem eu tanto dizia que amava. Bom, eu amo de verdade, muito mesmo. Mas sabe, eu cansei de não representar isso exatamente como eu sinto, e assim vão se afastando, todos eles, todos aqueles que só queriam que eu fosse melhor, só queriam que eu estivesse.. bem."
– Daniela Matias (etccetera)
"Digo-lhe, no entanto nem sempre uso de artifícios sinceros. Tua ingenuidade fluía de teus olhos de modo tão cativante que não me permitia ao regalo de estraga-lo com tanta futilidade. Perdoe-me se de tudo, fora de minhas intenções, lhe contristei. É comum preferir afligir à si do que à quem se ama."
– Daniela M (etccetera)
"Tem medo de perder, mas vive dizendo coisas como se não afetasse a ela. Diz que a ama loucamente, mas não a deixa dar seus próprios passos, degradando-a. Transforma todos os seus defeitos em grandes problemas, deixando-a mais culpada do que ela mesma já se sentia, e dizendo um simples “Eu te amo” a derrete e a faz esquecer-se de tudo que havia dito. Todos os dias que discutem, você a vê sorrindo da maneira mais delicada e perversamente dominadora, mas não sabe que ela se sente culpada por não ser como pretendia. De todas as maneiras ela tenta esconder tanta coisa, tanta coisa que sente culpa e vergonha, apenas por sentir. No entanto, ela sabe que nada disso é suficientemente magnânimo."
– Daniela Matias (etccetera)
"Em dias assim, parados, cinzas, o melhor é a gente se colocar debaixo de cobertas, e ludibriar a tristeza que costuma vir à nós, nesses dias."
– Daniela Matias
"Eu tento me vencer todos os dias, digo, superar os limites que eu mesma vivo me impondo. Tenho enfrentado disputas internas, indecisões frenéticas e constantes. Tenho mudado tão rápido, chega a ser estranho, não posso me prender às rotinas tão comuns num passado distante, e lembro de reclamar tanto delas. Será que esse é um daqueles momentos do qual eu reclamaria de não ter tirado proveito do que se foi ? Talvez embora eu ainda esteja preferindo mudar, agora eu sei como era que as pessoas ao meu redor se sentiam, viviam mudando .. foram me deixando, envoltas em suas instabilidades. No fim acho que essa situação toda é necessária."
– Daniela Matias.
"Você gerou novas amizades, você conheceu novas pessoas. Você não sente falta mais das mesmas coisas. Só por favor, não finja que ainda se preocupa com o que eu sinto ou não, não fique tentando mostrar que mantém o mesmo afeto de antes por mim porque não é verdade. O que você significa não mudou, aliás, nunca vai mudar, porém ainda estou tentando conviver com a idéia de que nem todo mundo é igual à mim, então.. não dificulte as coisas mais ainda."
– Daniela Matias .

Ainda ontem desisti da sorte, do acaso. Tomei coragem e resolvi aceitar o ‘de verdade’ . Aquela hisrtória de que tudo no fim dá certo ? Mentira, se der deu, se não paciência, o tempo da um jeito nas coisas, mas nada de crer que vá ficar bem de repente, isso não existe.

  - DM (etccetera)

"O problema não é do ‘amor’, nem de ninguém ao redor te machucando. Somos nós, os pontos fracos, sensíveis além da conta. Descontentes. Chega um tanto do percurso, que nós mesmos passamos a acreditar que estamos realmente bem, de dizer muitas vezes que sim mesmo não sendo verdade. Embora por dentro sempre tão quebrados, por fora sorridentes, intactos."
– Daniela Matias (etccetera)